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Quem nunca passou pela seguinte situação: você entra em uma operação, algo inesperado acontece e se questiona: “e agora, o que devo fazer?”.

Saiba que essas situações fazem parte do nosso dia a dia no mercado e jamais conseguiremos nos livrar delas. E detalhe: quanto mais tempo demoramos em decidir o que fazer, mais vulnerável ficamos.

Por maior que seja o desconforto causado por essas situações, a vulnerabilidade não está no mercado. Na realidade, a vulnerabilidade está em nossa mente, pois a realidade está ali, clara e visível na tela.

Para facilitar o entendimento do tema de hoje, apontarei duas circunstâncias, sendo que a segunda decorrerá da primeira.

Pois bem, a primeira se refere a uma conversa que tive com outro trader. Falávamos sobre stop e debatíamos o quão rígidos devíamos ser para não deixarmos o preço fugir, se é uma boa ou não a utilização de stops automáticos, entre outras coisas.

De repente, esse meu amigo parou e trouxe uma reflexão que até aquele momento eu não tinha parado para pensar. Ele disse: “tudo isso pode ser válido, André, mas é preciso também levar em conta os momentos em que o mercado chama”.

E o que seria isso?

Imagine que o mercado esteja normal, você consegue enxergar os movimentos com clareza e não sente dificuldades em stopar dentro do previsto. O problema surge quando você abre uma posição (e aqui, estou considerando que o trade tem sentido), mas algo inesperado acontece e vem uma forte agressão da ponta contrária. A partir deste instante, o mercado te obriga a tomar uma decisão em um cenário que você não esperava, totalmente imprevisível.

Essa próxima decisão é que é importante. Quando o mercado te leva para o risco e a situação fica atípica, qual seria a melhor atitude para o trader?

Eu nunca havia parado para pensar conscientemente sobre este tema. Daquela conversa pra frente, ficou nítido para mim que há dois tipos de stops: o stop normal e stop que o mercado chama. Em relação a este último, ou você stopa e assume aquele prejuízo acima do previsto, ou então reavalia a posição em cima do que a condição de mercado vier apresentar.

E justamente nas situações de quem escolhe avaliar a posição é que está o enredo da segunda circunstância.

Eu tive uma experiência nesse sentido, que foi o dia em que mais fiz dinheiro no trading. Eu estava posicionado com um grande lote na compra e surgiu um grande fluxo vendedor atípico (um grande player stopou e em uma única boletada, derrubou o mercado de dólar em mais de 12 pontos).

Conheça e respeite o seu degrau financeiro

Apesar da queda brusca, eu notava que o mercado permanecia muito comprador. Foi aí que surgiu o dilema se valia ou não insistir no trade. Ao optar por insistir no trade, a primeira coisa que fiz foi observar o meu degrau financeiro, isto é, saber o quanto aceitaria perder em uma operação e o quanto aceitaria perder no dia.

Naquele dia, a perda que vinha experimentando estava dentro do meu degrau financeiro (eu aceitava aquela perda como risco do negócio). Se acontecer algo parecido com você, avalie se a perda não ultrapassa o limite pré-estabelecido. Stope imediatamente, pois a reavaliação do cenário te colocará no risco de fazer médio e acabará comprometendo todo o seu capital disponível para o trading.

Mais do que a proteção do financeiro, o que eu quero deixar claro neste artigo é que o stop faz parte do nosso dia a dia. Um trader que não aceita stopar equivale a um lutador de MMA que não quer aceitar levar socos quando entra no ringue.

 Essas situações imprevisíveis são as precursoras da espiral negativa. Você não stopa, faz preço médio, o mercado continua vindo contra a sua posição e quando você se dá conta, entregou todo o capital para o mercado.

E o que devo fazer para evitar permanecer nesse tipo de situações?

Para estar atento e sair da rota da espiral negativa, duas atitudes pré-trades costumam ajudar muito.

A primeira é reconhecer o seu perfil operacional. Se ele for mecânico, assim que entrar na operação, tire as mãos do teclado e do mouse e deixe a operação correr. Se pegar o stop, vida que segue e parta para a próxima.

Agora, se você tem um perfil mais discricionário, como no scalping, a premissa é sair da operação assim que as variáveis que motivaram a minha não se fizerem mais presentes. Não deixe o mercado caminhar contra a sua posição. Se não aconteceu o que você inicialmente esperava, é porque o trade deu errado e a melhor coisa a fazer é stopar.

A segunda atitude é definir claramente o seu degrau financeiro, escrevendo-o no plano de trade. Quando você escreve e consulta diariamente esse documento, sua mente fortalece o compromisso com essa regra, evitando permanecer na rota da espiral negativa.

Coloque em prática as orientações aqui descritas e colha os benefícios da disciplina e regularidade.

Então é isso aí… espero que tenha gostado do artigo!

Grande Abraço e Atitude Vencedora,
André Antunes

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